A brisa nos seus cabelos, longos, loiros. O toque gentil da areia, húmida na sua frágil pele. O sabor da água, salgada, nos seus lábios, frios e gretados. O seu peito, contra a sua prancha, escorregadia. A adrenalina que percorre freneticamente o seu cérebro e lhe proporciona essa pulsação acelerada que tanto procura nas supérfluas ondas. A sensação de paz emerge, como adora cair na água gelada, enquanto a sua prancha se afasta, lentamente levada pela corrente, e, por mais desconfortável que seja, a água que lhe inunda os ouvidos proporciona a vontade de voltar a subir a prancha, navegar sobre as águas, cortar as ondas, um dia no mar, um surfista, encantado pela maresia, seu cheiro e a sua cor translucida e pela areia, sua textura árida, granulada, relaxante. A sensação de estar ali, molhado fá-lo sentir-se realizado, mas faz-se tarde, tem agora que abandonar as águas e voltar para casa, de certo que voltará ao mar, as ondas chamam-no, cativam-no.
- Kasti Valo