O grito do silencio

O silencio é a melhor forma de transmitir o que queremos esconder, tudo aquilo que não sabemos como dizer ou escrever, arranca de nós as palavras que insistimos em esquecer. Na serenidade do momento esperamos que ninguém perceba o que disfarçamos com sorrisos. Com as conversas, fica tanto por dizer, um olhar chega para desmascarar a nossa ausência de palavras, não conseguimos verbalizar a batida da alma, o molho de pensamentos que nos ocorrem é como o poema de quem aprendeu a guardar as palavras mas não sabe como usá-las. Vai ocupando o dia no silêncio, numa angustia omnipresente que a prende vai esperando que a coragem a solte, que as palavras lhe devolvam a liberdade. Mas enquanto o medo lhe oprimir as palavras, apenas o olhar poderá falar.

- Kasti Valo

Quebrou a promessa.


Procura no escuro, não quer acender a luz que tanto lhe ofusca os olhos, não suporta mais a dor de cabeça, baixa os olhos e encosta a testa ao pulso, permanece assim, caída sobre os seus braços como se não tivesse mais nenhum lugar para repousar. O tic-tac violento do relógio parou e as horas deixaram de passar, já não sabe onde está nem porque parou, não consegue perceber porquê mas o seu coração saltou, está procurando as tuas mãos, mordiscando-te os dedos e dizendo que precisa de continuar a bater. Nunca o tinha ouvido antes, não entende porque o ouve agora, tão alto como as gotas salgadas a caírem-lhe nos joelhos, tão desesperados os seus lábios por um sorriso. Todo o seu corpo a rejeita e o seu coração anseia por ti. Tenta esconder a lágrima que tenta escorrer-lhe pelo rosto, prometeu a si mesma que nunca mais choraria por alguém que nunca lhe retribuiu o que lhe dava continuamente sem a questionar, mas parece tão difícil evitar. Gritou: "NÃO VOU CHORAR!" mas aí sentiu uma gota de água salgada a cair-lhe na mão e depois dessa, mais chegaram para que a sua promessa fosse quebrada.

- Kasti Valo

Saudades


Fala consigo própria tentando achar conforto. Deitada na cama, o quarto escuro, mais uma noite em branco, presa à ânsia de ser feliz, de lutar contra as lágrimas, roubaram-lhe o sorriso. Chegou às noites sem dormir, à melancolia, à amargura que lhe trás o nascer do sol ao saber que passará outro dia presa aos problemas, farta do mundo, com saudades dos tempos de criança em que se pintava junto de amigos e família mas o seu pincel caiu restam apenas pequenos esboços desenhados a carvão que não tem mais motivação nem forças para colorir.

- Kasti Valo