Sonhos


Deitou-se em segundos mortos, já a maré da realidade vazou, adormeceu, sentiu uma brisa gélida na ponta dos pés, olhou para o chão, estavam pegadas na areia, aquele rasto meio apagado de tantos que lá passaram. Sentou-se na areia a tentar acalmar as tempestades que se aproximam. As brisas marinhas apagam esperanças, mas afinal de contas o sonho é seu por isso corrijo-me, NADA as pode apagar. Um sonho, fragmentos de memórias passadas, amontoadas num misto de sorrisos e lágrimas. Mas voltando ao sonho, caminha pela areia molhada sem preocupações, aquilo a que chamais de felicidade tem sido algo que apenas idealiza em sonhos. Feliz, a caminhar na praia, paraíso imundo este que assim, num piscar de olhos termina, cai na escuridão do seu ser e dá consigo enjaulada como uma criatura desumana vácua de sentimentos. Revoltada, inconformada com as mágoas veemente sentidas nestes dias nublados. Adquiriu independência de pensamento que a condena à monotonia, a este sofrimento silencioso que lhe corrói a consciência. Acordou, todavia sente mais do mesmo, estará a sonhar acordada ? Não, os sonhos são apenas histórias, são a fusão da realidade com a imaginação do autor.

- Kasti Valo

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