Auto-dissecação

Amarra sentimentos ao papel, tentando conhecer-lhes o sentido. Nenhuma sílaba traduz o molho quente das emoções ou a certeza dos olhares. Começa a criar-se fogo dentro de si, mas não sabe como mostrar a intensidade das chamas, a labareda que és no seu corpo, no seu cérebro. Consume a carne nos gestos vagos da rotina diária, ansiando pelos dias em que o sol estará sempre presente. Sangra mentalmente e revive sensações. Depois retorna à realidade e compõe de novo as peças em que se desfez, em que se desfaz. Esse sangue que lhe corre nas veias, esse sangue que deixa que se cristalize quando as mágoas se apoderam dela, falta-lhe algo para que possa fluir de novo. FELICIDADE é a palavra que sempre faltou nos seus textos.

- Kasti Valo

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