Rain

Encontra-se parada na rua, imóvel, estática, enquanto o céu desaba sobre os seu ombros. A chuva percorre cada curva do seu corpo, colando a roupa à pele quente e macia, mistura-se com as lágrimas e deixa que elas corram paralelas à acidez gelada que vem de cima. Abre os braços e gira velozmente em torno de si mesma, perde a estabilidade e cai no alcatrão ensopado, sob o olhar desatento das pessoas que vão passando por ela. Absorve a realidade neste fluxo implacável que pulsa entre o seu peito ofegante e o ar denso e húmido, pára de rir, pára de chorar. A saudade encharca-lhe de novo o rosto, ganha coragem, ergue-se. Com uma mão apoiada no muro e outra na lembrança, segue caminho, este caminho chuvoso que a leva a lugar nenhum.
- Kasti Valo

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