
O uivar impaciente dos lobos corrompe-lhe os sonhos, os olhares atentos espreitam pelas altas colinas em busca de outra refeição, aproximam-se com cautela por entre os arbustos, as suas pernas tremem freneticamente receando o cravar dos brancos dentes sobre a pele macia de um ser que outrora dizia não ter medo de nada. Os lobos tornaram-se horrendos, separada a matilha, preparada a emboscada, começa assim a matança. Um lobo, grandioso, aproxima-se por de trás das suas costas, num salto repentino morde a sua perna, afasta-se durante um momento, sem nunca deixar de fixar a sua presa o seu olhar vazio e esfomeado descrevia a sua sentença, morreria naquela noite. O lobo lançou-se a si e, de repente tudo ficou negro, o odor da aflição que sentia paira no ar, sente os lençóis quentes por de baixo do seu corpo aterrorizado e gélido, acende a luz para certificar-se que tinha terminado, está no seu quarto, acordou por fim.
- Kasti Valo
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