Paradigma


Tenta brincar com as palavras, fazer com que dancem ao som de melodias nunca antes ouvidas, escrevê-las num fundo azul límpido como o nobre céu que paira sobre nossas cabeças. Hoje, num dia calmo e sereno, não é capaz de o fazer, as suas palavras não se redigiram etéreas como desejava mas sim frias como o vento nórdico que lhe esfriou o outrora cálido sangue seu, tem sido assim faz muito tempo. Palavras, elas transparecem o que sentimos e neste momento insípido condizem com a sua pesarosa alma, receia escrever, não tem desejo de escrever sobre a furna gélida na qual está encurralada ou sobre a sua dignidade agora em putrefacção  deseja sim escrever sobre o quão afortunada se sente, apenas se isso transpusesse o desejo, se ela o sentisse, se fosse a realidade… O cérebro perdulário está notoriamente cansado, ela lastimosa. Naufragou a desgraça sobre a doce e gentil fêmea, o nauseabundo rasto de amargura reflecte a nebulosidade da sua alma, enquanto ela é navegante numa expedição sem rumo. Pousa a caneta e continua a sua jornada, neste caminho paradigmático que parece não ter fim.

- Kasti Valo

Sem comentários:

Enviar um comentário