Como adora contemplar os movimentos da água, movimentos esses que a trazem, pacifica e calmamente, enquanto o sol se põe e a maré enche. Senta-se horas na areia, de olhos fechados, apenas ela e a sua tão amada maré. O vento que embate no seu corpo já gelado não a empede de observar o inócuo perigo que transparece nas ondas enfurecidas que afogam as suas mágoas em águas profundas, essas mesmas ondas, lavam a sua alma, na água pura que corre agora por entre os seus pés descalços na areia molhada. Pura és maresia, tu que a invocas, que a chamas. Sim tu, maresia, tão casta, que trazes contigo a paz, que a incitas à loucura. Como te ama, como te espera, tu que a hipnotizas, tu que a pacificas, tu, o seu refugio.
- Kasti Valo

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