
Contaram-lhe
um segredo profundo, um pedacito pequeno de uma pessoa. Ela sabia que esse
pequeno segredo lhe ia consumir a alma, negou partilhá-lo com quem fosse, nunca
se desfez dele. Ela sabia como o guardar. O segredo crescia e um dia iria ser
maior que ela mas ela teria de saber como o controlar. Às vezes sozinha a lutar
contra a insónia ou a vontade de dormir, concentrava o seu pensamento
nesse segredo e sentia a cabeça pesada, sentia falta de alguém a quem
o pudesse contar, mas nunca o contou, sabia que não o devia fazer. Há
segredos que são assim, que nos saltam para as mãos sem
pedir licença e depois nos queimam por dentro por não os podermos
deixar ir. Mas depois de doerem, sossegam e empurramo-los para o mais obscuro
canto do nosso ser, assim acaba o impulso de querer contar
a alguém. E há tantos segredos que se transformam em sorrisos, que se
tornam parte de nós, que se desfazem em bocadinhos e nunca nos deixam realmente. Mas rege a verdade que um amigo respeita segredo.
- Kasti Valo
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